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MACHO (2015)

Criada por Yantó em parceria com a diretora e coreógrafa Adriana Grechi (Núcleo Artérias, São Paulo), a performance de dança MACHO parte de um estudo sobre a construção da masculinidade hegemônica na sociedade contemporânea. O trabalho questiona normas, representações e códigos de masculinidade que são produzidos e reproduzidos por diferentes práticas e discursos, naturalizando historicamente certos modelos de “ser homem”.

Sustentada por estruturas como o patriarcado e a heterossexualidade compulsória, essa construção garante privilégios materiais, culturais e simbólicos aos homens que correspondem ao padrão dominante de masculinidade. Ao mesmo tempo, impõe violências e processos de exclusão àqueles que não se encaixam nesse modelo, incluindo outros homens cujas experiências e corpos desviam da norma.

Na performance, Yantó percorre um estreito corredor formado pelo público, atravessando diferentes ações e estados corporais. O trabalho evoca corpos e experiências consideradas ilegítimas dentro da matriz sociocultural cis-heteronormativa: corpos quase masculinos, corpos que fracassam ou recusam os privilégios associados ao “ser macho”. Ao expor essas tensões, MACHO revela tanto as violências quanto a fragilidade das construções sociais da masculinidade.

O processo de criação investigou as relações entre movimento e voz, desejo, cultura pop e imaginários queer, tendo como referências estudos feministas, estudos de masculinidades e teorias queer. O trabalho foi contemplado pelo edital ProAC LGBT 2014 e estreou em agosto de 2015 na FUNARTE de São Paulo.

Miss The Sea (2020)

Depois de um período distante da dança e da performance, Yantó criou, durante a quarentena de 2020, um vídeo a convite do projeto Língua Fora (Leviatã, SP), intitulado Miss The Sea. Ali surgiu o embrião desta performance.

Na cena, uma figura de peruca loira, óculos de natação e coroa de conchas, presa dentro de um box de chuveiro, tenta recriar algo que lhe lembre o som do mar. A partir da voz e do barulho de um plástico celofane gravados em loop, a personagem constrói uma paisagem sonora artificial que remete ao oceano. A Miss, referência aos concursos de beleza, sente falta, perde, deseja algo ausente. Falta principalmente o mar, que ela tenta reconstruir a partir de sensações e de uma memória sonora mediada por imagens e estereótipos culturais.

A performance também aponta para o modo como certas associações que parecem naturais são, na verdade, construções culturais repetidas e reforçadas ao longo do tempo. Assim como a paisagem sonora do mar pode ser produzida por meios artificiais, a própria feminilidade encenada pela personagem se revela como algo fabricado e performado.

Durante a ação, enquanto constrói sua montação, Yantó cria ao vivo a trilha sonora da peça. A composição nasce da gravação e do processamento da voz e do som produzido pela fricção do celofane. Esses materiais são captados e manipulados em tempo real por meio de loops, reverbs e delays, criando camadas que aos poucos formam uma textura sonora semelhante ao som das ondas.

Ao aproximar o ruído do plástico da paisagem sonora do mar, Miss The Sea também lembra da presença do plástico nos oceanos e em outros ecossistemas, transformando esse gesto simples em comentário sobre o ambiente contemporâneo.

Miss The Party (2022)

Depois de Miss The Sea, Yantó desenvolveu a performance Miss The Party, também criada a convite do Leviatã (São Paulo) para uma mostra presencial realizada em 2022. O trabalho dá continuidade à pesquisa iniciada no projeto anterior, retomando a figura da Miss como um protótipo de drag construído em cena.

Nesta performance surge uma nova personagem ligada ao universo da vida noturna, das festas e das baladas. A partir de gestos, figurinos e pequenas ações, a figura se aproxima de clichês e estereótipos associados a esse imaginário. No entanto, essas personagens não aparecem como modelos acabados. São figuras defeituosas, quebradas, às vezes monstruosas, que deixam visíveis as falhas e as tensões presentes nos próprios padrões que tentam reproduzir.

Assim como em Miss The Sea, a trilha sonora é criada ao vivo durante a ação. Yantó grava e processa em tempo real sons produzidos pela voz e pelo próprio figurino, utilizando loops, pitch, delay e reverb. A sobreposição dessas camadas forma uma paisagem sonora que acompanha a construção da personagem e do ambiente da performance.

Ao trabalhar com esses protótipos de Miss, a performance observa como certos modelos de comportamento, aparência e desejo são repetidos e reforçados socialmente. Ao mesmo tempo, ao apresentá-los como figuras instáveis e imperfeitas, Miss The Party expõe o caráter construído dessas imagens e sugere outras formas possíveis de presença e de corpo em cena.

Arquiteturas Sonoras - Grupo NUA (2015)

Arquiteturas Sonoras foi um projeto do Grupo NUA, dirigido por Yantó, que investigou as relações entre corpo, som e espaço arquitetônico. A primeira versão do trabalho surgiu em 2014, durante a ocupação Yantó & NUA na Oficina Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo. Como ação central da ocupação, o grupo criou uma obra temporária concebida a partir do hall principal do prédio, apresentada em uma curta temporada de seis apresentações em dezembro daquele ano.

Após a ocupação, o coletivo decidiu continuar aprofundando a pesquisa e passou a recriar a performance em outros espaços arquitetônicos. A partir desse desdobramento surgiu o projeto Arquiteturas Sonoras, contemplado pelo edital ProAC – Artes Integradas (2014/2015), que possibilitou a realização de micro-residências artísticas e novas versões da obra nas cidades de Campinas, Botucatu e Caraguatatuba, com a participação de artistas locais.

O trabalho partia da ideia de que cada arquitetura possui características acústicas, espaciais e simbólicas próprias. A performance era construída a partir da interação direta entre os corpos dos performers, os sons produzidos ao vivo e as particularidades de cada espaço, fazendo com que a obra se transformasse a cada novo contexto.

O Grupo NUA – Coletivo Artístico Indisciplinar atuou entre 2012 e 2017 e desenvolveu pesquisas nas fronteiras entre teatro, dança, música e performance. O coletivo foi formado por Carolina Holly, Chico Lima, Renata Dalmora e Talita Florêncio, sob direção de Yantó. O grupo surgiu a partir da pesquisa de mestrado de Yantó, Por uma experimentação indisciplinar do artista da cena (UNICAMP/Fapesp), dedicada à investigação de práticas híbridas entre diferentes linguagens da cena.

Entre os principais projetos do coletivo estiveram Depois, apresentado como espetáculo cênico na defesa de mestrado de Yantó; Arquiteturas Sonoras #01, residência artística e criação de uma performance site specific na Oficina Cultural Oswald de Andrade (2014); Arquiteturas Sonoras #02, recriação da obra em diferentes cidades do estado de São Paulo (2015); Arquiteturas Sonoras #03 – Memórias do Concreto, instalação artística criada na Vila Itororó no projeto Canteiro de Obras do Goethe-Institut (2017); e RAMPA, performance site specific desenvolvida no hall de entrada do Sesc Santana.

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